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Citações sobre arte e estética

Após escrever aquele post sobre a talvez performance do morador de rua, com a intenção de discorrer sobre arte e experiência estética, decidi retomar a leitura da bibliografia e agrupar algumas citações que lidam com esse tema.

Logo no início de “Art as experience” Dewey diz:

“BY ONE of the ironic perversities that often attend the course of affairs,the existence of the works of art upon which formation of an esthetic theory depends has become an obstruction to
theory about them. For one reason, these works are products that exist externally and physically. In common conception, the work of art is often identified with the building, book, painting, or statue in its existence apart from human experience. Since the actual work of art is whatthe product does with and in experience, the resultis not favorable to understanding. “

 

“When an art product once attains classic status, it somehow becomes isolated from the humanconditions under which it wasbroughtinto being and from the human consequences it engenders in actual life-experience.”

 

Pensando arte a partir da falsa performance (título provisório e ruim)

A partir de uma notícia – verdadeira ou não – sobre evento que ocorreu na feira ARCO, esse ensaio discute o campo abrangido pelo conceito de arte.

A Internet é um meio de comunicação no qual as notícias se disseminam com muita rapidez seja através de sites, blogs, facebook, etc.  Temos informação confiável mas também boatos das mais diversos tipos; uma situação não muito diferente do que acontece na comunicação interpessoal não mediada por aparatos técnicos ou com aparatos anteriores à internet, só que muito mais rápido.

Em todos os casos de comunicação, para temos certeza da veracidade da mensagem temos de checar essa informação ou, na impossibilidade disso, buscar uma fonte que seja confiável, pelo menos até alguma prova em contrário.

No caso da notícia do homem que dormiu no espaço da Arco – Feira de arte contemporânea – e que teria sido tomado por uma obra de arte, não consegui checar a informação em outras fontes além do site “El mundo today(1)”. O site expões notícias variadas que chamam atenção pelo humor ou absurdo, tais como: “La Policía contrata a un artista abstracto para realizar retratos robot” ou “Adolescente atormentado, sin ideas originales para sus próximos intentos de suicidio”.

Esse cenário não oferece muita credibilidade à notícia, mas o mais importante na argumentação é que ela pode passar por verdadeira ou, como diz o provérbio italiano: “Se non è vero, è ben trovato.”

Se estivéssemos no Salon de Paris no século XVIII seria pouco provável que essa notícia fosse tomada por verdade, pois aquilo que a palavra arte, o conceito, designava não permitiria a inclusão deste tipo de manifestação. Essa notícia só é verossímil hoje porque já vimos coisas similares; em 1983 Ben Vautier (2), dormiu na  inauguração da 17ª Bienal de arte de São Paulo em uma performance intitulada Exercício do Ego nº 3.

Aquilo que o conceito designa passou a incluir outros elementos, ou seja, a extensão do conceito foi ampliada. Jupiassu (3) comenta que:

Termo chave em filosofia, o conceito designa uma idéia abstrata e geral sob a qual podemos unir diversos elementos. …  Enquanto idéia abstrata construída pelo espírito, o conceito comporta, como elementos de sua construção: a) a compreensão ou o conjunto dos caracteres que constituem a definição do conceito (o homem: animal. mamífero, bípede etc.): b) a extensão ou o conjunto dos elementos particulares dos seres aos quais se estende esse conceito. A compreensão e a extensão se encontram numa relação inversa: quanto maior for a compreensão. menor será a extensão: quanto menor for a compreensão maior será a extensão.

O conceito se refere a determinado número de coisas e fenômenos que ficam dentro do espaço delimitado por ele. Os limites, mesmo quando bem marcados, mudam com o tempo e também com os diferentes usos do conceito.

Wilson (4) discute sobre conceitos com a pergunta: Baleia é peixe? que pode ser traduzida por: “Será que a baleia (sendo o que é) pertence à categoria ‘peixe’ ou não?” Ele aponta que a resposta depende do que se entende por peixe, “do ângulo a partir do qual consideramos a pergunta”. Sendo que não existe ângulo correto.

Ao se falar em motor, por exemplo, é possível referir a um motor de explosão ou elétrico, e dentro dessas categorias existem muitas outras sub-caegorias, mas também posso falar metaforicamente que o motor da carroça é o cavalo. Sendo que, além disso, o significado será em todos casos um tanto diferente do latim:  aquele que desloca, que poderia indicar uma pessoa, ou um rato.

A extensão do conceito de arte muda muito pois por se tratar de uma atividade que pressupõe a criatividade, cada elemento novo nesse conjunto tem de ser um pouco diferente dos outros, assim os limites da extensão do conceito são intrinsecamente móveis e permeáveis.

Toda obra de arte visual é composta de uma série de elementos estabelecidos por uma tradição que também indica como esses elementos são articulados, temos então uma linguagem, que é específica de cada arte. Barthes afirma algo sobre a linguagem verbal que serve para pensar sobre arte: “a língua, como desempenho de toda linguagem, não é nem reacionária, nem progressista; ela é simplesmente: fascista; pois o fascismo não é impedir de dizer, é obrigar a dizer” (5), e a dizer de uma forma que está prevista na língua. Continuando esse raciocínio ele comenta:

Por outro lado, os signos de que a língua é feita, os signos só existem na medida em que são reconhecidos, isto é, na medida em que se repetem; o signo é seguidor, gregário; em cada signo dorme este monstro: um estereótipo: nunca posso falar senão recolhendo aquilo que se arrasta na língua. (6)

A saída dessa dominação vira pela trapaça, continua Barthes:

Mas a nós, que não somos nem cavaleiros da fé nem super-homens, só resta, por assim dizer, trapacear com a língua, trapacear a língua. Essa trapaça salutar, essa esquiva, esse logro magnífico que permite ouvir a língua fora do poder, no esplendor de uma revolução permanente da linguagem, eu a chamo, quanto a mim: literatura. (7)

Continuando a afirmação anterior sobre extensão do conceito de arte. Todo conceito tem efeitos práticos, como já foi colocado por Peirce (8). Um dos efeitos práticos que vem do conceito ao estabelecer o que é  ou não arte, em um determinado momento, é determinar o que pode ou não ser feito, o que será ou não aceito em exposições, o que pode ou não receber apoio financeiro.

Assim o conceito de arte tem as mesmas características que Barthes aponta na língua e, assim como a literatura, as artes trapaceiam com o conceito. Ao se colocar contra o conceito de dentro do próprio conceito, a obra obriga este a ampliar, deslocar, reconfigurar. Mas, uma vez reconfigurado o conceito, aquilo que incomodava o limite passa a estar dentro do conceito, criando novas determinações.

É nesse contexto que uma pessoa dormindo em uma exposição deixa de ser algo inusitado, um ruído que pressiona o conceito e faz pensar sobre a própria arte e se transforma algo previsível. No caso que ocorreu em Madrid, no caso de a cena apresentada ter sido concebida como obra de arte, se trata de uma diluição da proposta de Vautier em 1983.

A notícia fala que a obra teria sido comprada, mas essa cena, como obra de arte, se encaixa em uma categoria de obras: a performance, que é um acontecimento e não uma coisa, não pode ser comprada. Pode-se comprar ingresso para a perfrmance, ou o registro dela, mas nunca a performance. Podemos pensar que, sendo verdade, a pessoa que decidiu comprar essa obra não sabia exatamente o do que se tratava.

A ironia é que se trata de uma falsa performance, pois ela não foi planejada como tal nem autorizada para acontecer no espaço da exposição. Por outro lado, ao vermos a notícia, não podemos esquecer que o que se configura como performance é a totalidade do evento, desde a atribuição do título: “Técnica mixta sobre cartón: Hombre maloliente, orín y vino” até a notícia no site.

Entendida assim, ela questiona o próprio campo da arte e se transforma numa performance de arte e, ao acontecer isso ela passaria entrar no campo e ser modelo para outras obras, que passariam a se chamar, talvez, de intervenções em espaços expositivos, se isso já não fosse uma categoria prevista na arte contemporânea. Tão prevista que pode-se mais uma vez lembrar as bienais do passado, com a intervenção do grupo Viajou Sem Passaporte na abertura da XV Bienal Internacional de São Paulo (9).

______

Notas

(1) http://www.elmundotoday.com/2013/02/se-cuela-un-vagabundo-en-arco-y-un-coleccionista-lo-adquiere-por-150-000-euros/
(2) http://www.emnomedosartistas.org.br/FBSP/pt/AHWS/blog/post.aspx?post=106
(3) MARCONDES, H. J., DANILO. Dicionário básico de filosofia. [S.l.]: Zahar, 1993.
(4) WILSON, J. Pensar com conceitos. [S.l.]: Martins Fontes, 2001.
(5) BARTHES, R. Aula. [S.l.]: Editora Cultrix, 2004.p. 14.
(6) Id. Ibid. p. 15.
(7) Id. Ibid. p. 16.
(8) “Considera quais os efeitos, que podem ter certos comportamentos práticos, que concebemos que o objecto da nossa concepção tem. A nossa concepção dos seus efeitos constitui o conjunto da nossa concepção do objeto. CP 5.402 (Collected Papers of Charles Sanders Peirce Vol.V par. 402)
(9) Dissertação de Mestrado “A DOCUMENTAÇÃO NAS PRÁTICAS ARTÍSTICAS DOS GRUPOS ARTE/AÇÃO E 3NÓS3” Maria Adelaide do Nascimento Pontes – UNESP – 2012

 

 

Organização das anotações

O trabalho acadêmico  envolve atividades prazerosas, como a leitura de um livro muito procurado, a constatação de que uma hipótese é pelo menos coerente, ou a construção de uma frase que explique bem a proposta e que, se possível, tenha algo de estético em sua forma.

Depois de elogios, é comum encontrarmos uma adversativa, não vou fugir à regra: apesar de seus aspectos agradáveis, o trabalho acadêmico, como todo trabalho, tem aspectos repetitivos, enfadonhos e difíceis.

Ler um texto difícil pode ser um desafio, mas a dificuldade maior é como anotar o que é importante em sua leitura e, mais complexo ainda, como organizar essa informação para depois recuperá-la.

Face a essa questão e partindo do principio que alguém em algum lugar deve ter desenvolvido uma forma de facilitar esse trabalho, tenho pesquisado alguns softwares, dos quais pretendo falar aqui, mas agora quero remeter a um artigo sobre a forma de organizar as anotações que foi desenvolvida por Luhmann, autor buscava uma teoria para melhor compreender a complexidade do mundo e que acreditava que para isso precisava de um método complexo.

Embora não tenha conhecimento para afirmar, suponho que ele precisava de uma organização de anotações que também fosse complexa e não linear e hierárquica como as outras.

Esse é o assunto do artigo Luhmanns zettelkasten do blog Taking note.

Boa leitura.

Seminário Internacional: M-Todos – Tendências e oportunidades na mobilidade digital

A convergência digital é um fenômeno da cultura contemporânea. Com o advento das novas tecnologias temos percebido grandes mudanças nas formas como as pessoas se comunicam.

O Seminário Internacional m-Todos: tendências e oportunidades da mobilidade digital nasce da inquietação de pesquisadores brasileiros e espanhóis que estão em contato com as pesquisas de vanguarda. Novas possibilidades são oferecidas nos diversos campos como a educação e as produções artísticas e culturais.

Auditório Adunicamp, Rua Gomes, 241  - Campinas, SP

9 a 11 de Novembro de 2010

http://mtodos.tangu.com.br/

3º Colóquio de Semiótica – UERJ

O colóquio ocorrerá de 10 a 12 de novembro e as inscrição de trabalhos vão até 30/9.

http://seleprotcoloquiodesemiotica.blogspot.com

Jornada de Estudos Peirceanos na Unicamp

Jornada de Estudos Peirceanos na Unicamp

31/08/10 – das 14h00 às 18h00

Pavilhão do básico – Sala PB13

Com a presença dos professores:

Dr. Fernando Andacht (Universidade de Ottawa)

Dr. Frederik Stjernfeld (Universidade de Aarhus)

Dr. Vincent Colapietro (Penn State University)

Dr. Winfried Nöth (Universidade de Kassel)

Jornadas Peirceanas

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